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Nitrogênio na cobertura do milho: Quando aplicar?

Qual a importância de acertar o momento da aplicação de nitrogênio na cobertura de milho safrinha?

Se você já trabalhou ou trabalha com a cultura do milho sabe que o nutriente que mais interfere na produtividade e nos custos de produção é o nitrogênio.

Como sabemos o ambiente agrícola é complexo, muitas variáveis influenciam o milho, mas um dos principais fatores é o fornecimento ineficiente de nitrogênio.

Em outras palavras, tanto sua falta, como seu excesso podem trazer problemas.

Assim orientamos quanto ao momento mais indicado para realizar as adubações nitrogenadas no milho para aumentar a sua produtividade.

Por que parcelar o Nitrogênio?

Primeiramente vamos entender por que é importante parcelar a adubação nitrogenada, em vez de aplicar tudo na semeadura:

As palavras “aplicação de nitrogênio no milho” e “parcelamento” sempre andam juntas…

Você sabe por quê?

Pois diferente do potássio, o nitrogênio não se adere ao solo, não tendo uma reserva prontamente disponível.

Existe sim uma reserva de nitrogênio no solo, a matéria orgânica, mas ela precisa ser degradada, o que requer um certo tempo para liberação.

E de todo o nitrogênio que temos no solo disponível cerca de 90% está dissolvido na água do solo, também chamada de solução do solo:


Figura 1. Ilustração demostrando a ocorrência do nitrogênio (NO3+), principal forma encontrada no solo. Fonte: Próprio Autor, 2021.

Uma vez ocorrendo uma precipitação relevante, o nitrogênio é lixiviado, em outras palavras, é carregado junto a água para camadas mais profundas do solo, fora do alcance das raízes.

Portanto para não perder o nitrogênio para chuva, precisamos parcelar a adubação.

Agora sim podemos ir para o objetivo principal…

Quando aplicar?

Antes de tudo precisamos ter em mãos as recomendações para adubação nitrogenada para o milho.

O número de adubações de cobertura irá mudar com a quantidade de nitrogênio que precisamos aplicar.

Além da adubação na semeadura, as recomendações técnicas orientam realizar até duas coberturas.

Porém, para que possamos saber o melhor momento para aplicar o nitrogênio é necessário entender os eventos que ocorrem durante o ciclo do milho.

O primeiro momento importante é o período da emergência até V6, pois é neste intervalo que a planta determina o tamanho e quantidade de folhas que terá.

Portanto se a dose de nitrogênio for intermediária e for recomendado uma adubação de cobertura, esta deverá ser realizada no estádio V4 a V5.


Figura 2. Resumo dos estádios fenológicos do milho e em destaque os eventos mais importantes para delimitação da produtividade.


Fonte: Ritchie, S.W. et al., How a corn plant develops. Ames: Iowa State University of Science and Technology, Special Report, 1993.

Importante:

Assim, vale ressaltar que a adubação não pode ser muito tardia, não podendo passar de V6, sendo melhor antecipá-la.

Depois de seis e sete folhas, o milho já terá um sistema radicular desenvolvido e capaz de absorver mais nutrientes.

Daí em diante os entrenós começam a se alongar mais rápido, em outras palavras a planta ganha altura.

Entre V10 e V12 ocorre a definição do tamanho da espiga, portanto é ideal fornecer o nitrogênio nesse momento.

Também é neste momento que o milho mais absorve nitrogênio durante o ciclo. Se for recomendado a aplicação da segunda cobertura este seria o período adequado.

Porém, como a estatura do milho já será alta podendo complicar a aplicação do nitrogênio recomenda-se que a segunda cobertura seja realizada a partir do estádio V8.

Como aplicar?

Agora que já sabemos o momento certo e porque fazemos isso precisamos chamar a atenção para o modo de aplicação.

Este é um ponto importante pois a aplicação a lanço é sem dúvidas o método mais adotado para realizar adubações principalmente em cobertura.

Esse modo de aplicação aumenta o rendimento operacional e facilita a aplicação.

Devemos nos atentar entretanto a algumas condições, principalmente climáticas, que possam trazer prejuízos.

Ao aplicar nitrogênio na forma de ureia, principal fonte utilizada no Brasil, é necessário que ocorra uma precipitação pluviométrica até dois dias após a aplicação.

Tendo isso, temos alguns pontos que explicam o por que as condições climáticas são tão importantes:

  • A permanência da ureia sobre o solo favorece a volatilização, ou seja, o nitrogênio é “evaporado”, principalmente quando ocorrem altas temperaturas;
  • A ocorrência de chuvas consideráveis durante ou após a aplicação de ureia favorece as perdas por lixiviação.
  • A aplicação com as folhas orvalhadas ou mesmo úmidas favorece a fitotoxidez, já que ocorre a solubilização do nitrogênio e o efeito herbicida:

Figura 3. Danos causados em folhas de milho pela aplicação a lanço de ureia (A) e nitrato de amônia (B).

Fonte: Vargas, V.P. et al. Maize Leaf Phytotoxicity and Grain Yield are Affected by Nitrogen Source and Application Method, Agronomy Journal, 2015.

Conclusão

A aplicação de adubos nitrogenados em cobertura na cultura do milho, quando necessária, deve ser realizada no estádio V4 a V5 e, se necessário, a partir do estádio V8.

Por fim é muito importante a verificação das condições climáticas durante o ciclo do milho para a realização da adubação nitrogenada.

Dessa forma a assertividade será maior, evitando que a adubação traga prejuízos.

Nos conte amigo produtor, afinal, como você tem feito a adubação nitrogenada na sua fazenda?

Gostou dessa matéria sobre nitrogênio na cobertura e como aplicar? Nos deixe um comentário!

Matéria por: Abelino de Souza Junior

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